O Calendário da Moda Internacional já não é mais o mesmo!

O Calendário da Moda Internacional anda bem confuso. Com semanas de moda como a de Nova York aderindo ao  see now, buy now e as de Milão e Paris, mais conservadoras, mantendo o modelo padrão de venda das coleções seis meses depois, anda difícil acompanhar as fashion weeks e entender o que está sendo desfilado e quando será lançado.

 

 

No formato tradicional a que estamos acostumados, o Calendário da Moda Internacional sempre se baseou em dois pilares: a divisão de acordo com as estações do ano e a antecedência dos desfiles em relação ao lançamento no varejo. Assim, nos habituamos a acompanhar os desfiles com as nomenclaturas clássicas de primavera-verão ou outono-inverno e sempre fez sentido para todos nós aguardar cerca de seis meses entre a apresentação na passarela e a chegada efetiva da coleção às lojas.

 

 

Essa dinâmica tem sua lógica porque os desfiles foram inicialmente pensados com foco nos profissionais da indústria, para que os mesmos pudessem receber as novidades em primeira mão, interpretar, fazer suas apostas, trabalhar o produto na mídia, até que o mesmo se torne disponível ao público em geral.

 

 

Do ponto de vista das grifes e dos revendedores, o intervalo de seis meses entre a passarela e o lançamento no varejo sempre foi visto como o tempo necessário para a fabricação dos produtos e realização dos pedidos e encomendas pelas compradoras. Esse ritmo torna possível avaliar de forma mais segura a coleção e, consequentemente, obter uma produção mais organizada, com resultados de venda mais certeiros.

 

 

Mas algumas transformações pelas quais o mundo vem passando estão nos obrigando a repensar essa dinâmica. Não só quanto ao intervalo de tempo entre desfile e lançamento, mas também em relação à necessidade de rotular as coleções como sendo “verão” ou “inverno”.

 

Numa era em que as marcas internacionais têm presença global cada vez mais acentuada, fica difícil estabelecer aonde está o cliente. Se é inverno lá no Hemisfério Norte, onde as grandes grifes mantém seus headquarters e para onde os eventos de lançamento são planejados, aqui nos trópicos, por exemplo, estaremos na estação oposta. E pior, as instabilidades climáticas já nem permitem mais definir exatamente quando começa e quando termina uma estação do ano.

 

 

Portanto, já é possível encontrar nomes de peso defendendo abandonar essa nomenclatura. Para Paulo Borges, diretor da São Paulo Fashion Week, por exemplo, esse conceito já caiu por terra: “com o mundo afetado pela globalização e com estações cada vez menos definidas não faz mais sentido falarmos de inverno e verão. As pessoas compram moda por desejo. Não importa se é inverno ou verão”. (Fonte: site FFW)

 

 

E quanto ao gap de seis meses entre desfile e lançamento? Numa era digital em que a interatividade do público com os eventos de moda através das redes sociais é crescente, como defender esse “descasamento”? Se os desfiles são acompanhados não só pelos profissionais da moda, mas por milhares de pessoas “comuns” conectadas redor do mundo, através do trabalho dos influenciadores, bloggers, mídia online e as próprias marcas transmitindo live suas apresentações, como explicar que as novidades da passarela somente chegarão às lojas no outro semestre?

 

 

Diante desses questionamentos, várias grifes já abandonaram o sistema tradicional e caíram de peso no formato see now, buy now, cuja proposta é acabar com o intervalo entre desfile e lançamento, tornando-os eventos praticamente simultâneos. O cliente passa a ter acesso ao produto da passarela no momento ou logo em seguida a ele ser apresentado. Quer saber mais sobre quem já aderiu ao see now, buy now?

 

 

Ficou confuso para você? E está mesmo!!!

Com grifes desfilando no formato tradicional e outras já no modelo see now, buy now, e alguns desfiles seguindo as estações climáticas enquanto outros abandonaram essa terminologia, só nos resta concordar com o Kaiser: o estado do mundo da moda atual “é uma bagunça!”! rsrsrs (Fonte: site do Instituto di Moda Burgo Brasil, ao citar  Karl Lagerfeld, da Chanel)

 

 

 

Por aqui, vamos continuar atentos a essas e outras transformações trazendo para vocês as novidades que impactam o Calendário da Moda Internacional.