Diversidade de modelos no desfile da LAB no SP Fashion Week 2017

Diversidade na moda: como essa tendência mundial vem conquistando as passarelas

Falar sobre moda é também falar sobre comportamento. Como eu sempre digo, o que escolhemos vestir e o que as marcas decidem produzir e vender é sempre um reflexo da nossa sociedade. E, claro, dos nossos valores. Por isso, faz muito sentido a diversidade estar na moda e esse ser o tema do nosso Mindstyles.

 

Antes de mais nada, acho importante dizer que esse não é um assunto novo dentro do mundo fashion. Quem não se lembra das campanhas da Benneton? A marca sempre usou modelos de diferentes etnias em suas peças de divulgação.

 

Modelos de diferentes etnias mostram diversidade nas campanhas da Benetton

 

Com o passar do tempo, a diversidade na moda foi ganhando outros contornos, expandindo os horizontes e as possibilidades criativas. Já falei aqui no blog do feminismo fashion, por assim dizer, e também dos diferentes tipos de manifestações dentro e fora das passarelas.

 

Desfile da diversidade

 

Este ano, o SP Fashion Week pontuou algo bem importante: a diversidade de corpos femininos. O desfile de abertura, da label Água de Coco, trouxe modelos fora do padrão de beleza que a gente costuma ver nas passarelas. Depois da abertura da cantora Anitta cantando o clássico “Isto aqui, O que É”, de Ary Barroso, desfilaram mulheres com corpos, biotipos e idades super diferentes, entre elas a top gravidíssima Ana Claudia Michels.

A cantora Anitta posa ao lado de modelos da Água de Coco no desfile da SP Fashion Week 2018

 

“Esse casting veio junto com a questão do nosso tema, que é falar de Brasil, falar de diversidade, dessa mistura que a gente tem, com meninas que representam outros padrões.”

– Renato Thomaz, diretor de marketing e stylist da Água de Coco, em entrevista ao site Fashion Forward

 

Modelo mais velha em desfile da Água de Coco no desfile da SP Fashion Week 2018

 

Confira o vídeo do desfile completo:

 

 

A diversidade também já tinha vindo à tona no SP Fashion Week 2017. O desfile de encerramento foi da marca LAB, formada pelos cantores e irmãos Emicida e Evandro Fióti e o estilista João Pimenta. Eles apresentaram a coleção Herança, com influência forte do samba e da cultura africana, com a maioria de modelos negros e também pessoas mais velhas e gordas. Assim, a LAB consolidou um espaço pioneiro tanto no evento quanto na moda brasileira.

 

Diversidade de modelos no desfile da LAB no SP Fashion Week 2017

 

“Eu acredito que a moda é um retrato de seu tempo. O que a gente tem feito aqui é imprimir um outro ângulo desse tempo.”

– Emicida, rapper e criador da marca LAB, em entrevista à ELLE brasileira

 

Confira o vídeo do desfile completo:

 

 

Pulando de SP para o mundo, também em 2017 a francesa Vetements fez um desfile super diverso na Fashion Week. A coleção Esterótipos teve um dos castings mais diversos da temporada, incluindo até pessoas que não eram modelos. Cada uma com um jeito bastante original. Um verdadeiro tapa na cara dos padrões! Dá só uma olhada neste vídeo da label:

 

 

Os desafios da diversidade na moda

 

Apesar de ser uma tendência mundial que só cresce, a diversidade ainda não tem lugar garantido na moda. Como bem disse a modelo trans Hari Nef em um evento do Business of Fashion: “Diversidade é diferente de inclusão.” Segundo ela, a indústria da moda fetichiza a diversidade, colocando o tema na mesa apenas pontualmente. Enquanto a inclusão coloca minorias na conta, a diversidade significa introjetar esse mindset e torná-lo uma prática.

 

Um exemplo disso é a Squad, primeira agência brasileira a ter um time de modelos totalmente fora do padrão. “Somos um coletivo de street casting e digital influencers, onde todos que entram para o time tem identidade própria, são pessoas autênticas, originais, talentosas, criativas, muitas com carreira própria já – modelar é apenas parte de uma gama maior de projetos e profissões que cada um se envolve”, disse a jornalista e stylist Thais Mendes, uma das criadoras da empresa, em entrevista à ELLE brasileira.

 

 

O caminho é longo, mas já dá para vislumbrar um futuro bem mais diverso nas passarelas e na moda em geral. As marcas estão experimentando novos modelos (literalmente!) para construir um universo fashion mais democrático e conectado com os valores da nossa geração. Eu torço para que a diversidade seja cada vez mais uma regra e não uma exceção! E você, o que acha dessa tendência? Conta pra mim!