Protesto no Golden Globes 2018

Protesto na moda: de Zuzu Angel ao Globo de Ouro 2018

A moda não é só um jeito de se vestir. É também a manifestação de um jeito de pensar e até de se expressar a favor de uma causa. Na onda do que aconteceu na cerimônia do Globo de Ouro e do Grammy deste ano, decidimos falar na coluna Mindstyles de hoje sobre alguns episódios de protesto na moda

 

Pretinho básico que virou protesto

 

O preto dominou o tapete vermelho no Globo de Ouro 2018. A maioria das atrizes e alguns atores foram à premiação com vestidos pretos. O protesto silencioso foi em apoio ao movimento Time’s Up (algo como “o tempo acabou”, em português), que denuncia o assédio sexual em Hollywood. A campanha foi criada por celebridades como Natalie Portman e Meryl Streep. E envolve mais de 300 mulheres da indústria do cinema.

 

 

Juntas, elas criaram um fundo que já tem mais de US$ 13 milhões. O objetivo é ajudar a defender na Justiça vítimas de assédio que não têm recursos para pagar pelos processos. Além do protesto em forma de roupa, a atriz Natalie Portman também se manifestou na hora de anunciar os indicados à melhor direção. “Aqui estão todos os indicados homens”, disparou, criticando a falta de diretoras na categoria.

 

 

A atitude gerou polêmica, aplausos e também críticas. Um grupo de mulheres francesas, que inclui personalidades, dentre as quais as atrizes Catherine Deneuve e Ingrid Caven, escreveu uma resposta ao movimento. O artigo foi publicado no jornal Le Monde e defendia a liberdade dos homens “de importunar”, meio que criticando o que poderia ser um feminismo extremado.

Vale dizer que o mesmo movimento foi homenageado no Grammy deste ano. Cantoras que foram à premiação de música com rosas brancas estavam prestando apoio ao Time’s Up. Isso porque o assédio sexual também tem sido desmascarado no meio musical. A cantora Lorde fez um protesto diferente: costurou atrás de seu vestido uma parte de um texto da artista feminista Jenny Holzer.

https://www.instagram.com/p/BehB27UHojJ/

Zuzu e seu desfile-protesto

Essa não foi a primeira vez que a moda foi usada como manifestação política e social, claro. Aqui no Brasil é impossível falar do tema e não lembrar da estilista Zuzu Angel. Ela foi a primeira a fazer um desfile-protesto, sabia? Sua luta era contra a ditadura brasileira e o sequestro do seu filho, o ativista Stuart Angel. Isso aconteceu em setembro de 1971, em Nova York.

 

Vestido do desfile-protesto da estilista Zuzu Angel

 

Zuzu fez vestidos como este da foto, de algodão. Os bordados de desenhos infantis misturavam casinhas e flores com soldados, canhões e tanques de guerra. Na passarela, teve mais protesto: pombas negras, anjos tristes e até um sol quadrado desfilaram.

 

A moda como protesto hoje

Voltando para um passado não tão distante, as semanas de moda de 2017 também foram marcadas por manifestações contra o presidente norte-americano Donald Trump e em prol do feminismo.

Estilistas e modelos desfilaram com bandanas brancas amarradas no pulso para apoiar o movimento Tied Together (algo como “amarrados juntos”, em português). Criada pelo Business of Fashion, a ação presta solidariedade a imigrantes e minorias e já arrecadou mais de US$ 50 mil dólares para a União Americana pelas Liberdades Civis e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

 

Protesto Tied Together, do Business of Fashion

 

Já a campanha We should all be feminists (“todos nós deveríamos ser feministas”, em português) da Dior também esteve nas passarelas e nas ruas. A frase é título da palestra que a escritora feminista Chimamanda Ngozi Adichie apresentou num TEDx Talks em 2013, cujo vídeo teve mais de 3,4 milhões de visualizações. Ao ser estampada na famosa camiseta branca da campanha primavera-verão 2017, virou símbolo do desfile e foi recordista de posts no Instagram!

Sem falar na Chanel, que transformou sua passarela da sua coleção primavera-verão 2015 numa grande passeata pelo direito das mulheres. Uma explosão de cartazes, acessórios, roupas carregadas de mensagens e elementos de ordem feminista. Foi incrível, vocês lembram?

Esses são só alguns exemplos de como a moda pode ser uma forma protesto e expressão política.

É no nosso dia a dia que essas manifestações acontecem. O jeito que nos vestimos, os produtos que usamos, as marcas que escolhemos. Tudo isso representa mais do que a construção de uma simples imagem. É como decidimos nos apresentar para o mundo. E pode dizer muito a respeito das nossas escolhas, do que somos e do que desejamos ser. Já parou para pensar nisso?